
Com a chegada das altas temperaturas, o corpo precisa trabalhar mais para manter o equilíbrio, e isso inclui o coração. Durante os dias quentes, aumentam tanto o risco de desidratação quanto o esforço do sistema cardiovascular, o que pode desencadear sintomas importantes, especialmente em pessoas com histórico de problemas cardíacos.
O Dr. Gladistone Coghetto Junior, da equipe técnica do Kurotel, destaca os principais impactos do calor excessivo sobre o funcionamento do coração. Ele explica que, quando a temperatura corporal aumenta, o organismo ativa mecanismos der esfriamento, como a vasodilatação periférica e a produção de suor.
Esses processos reduzem a pressão arterial e levam à perda de líquidos, exigindo que o coração bata mais rápido e com mais força para manter o fluxo sanguíneo adequado. Em situações extremas, o débito cardíaco pode aumentar em 50–70%, o que representa uma sobrecarga significativa (especialmente em pessoas com doença cardiovascular preexistente).
Por isso, pessoas com doenças cardíacas devem redobrar os cuidados nos dias mais quentes. A sobrecarga imposta pelo calor aumenta o risco de descompensações, como arritmias, tontura, queda de pressão e agravamento de sintomas, especialmente quando há desidratação ou uso de medicamentos como diuréticos e anti-hipertensivos, que podem intensificar a sensibilidade ao calor.
Assim, aconselha o Dr. Gladistone, é importante evitar a exposição direta ao sol entre 10h e 17h e manter uma hidratação rigorosa, preferencialmente com água e, quando indicado, com reposição de eletrólitos. A redução do sal na alimentação deve ser feita apenas se já houver orientação médica prévia, pois muitos pacientes cardíacos perdem sódio em excesso pelo suor.
Além disso, recomenda-se monitorar o peso diariamente: um ganho súbito pode indicar retenção de líquidos, enquanto uma perda superior a 1 kg por dia pode ser sinal de desidratação. Usar roupas leves, claras e chapéu ajuda a reduzir o aquecimento do corpo, o que é essencial porque, para quem já tem o coração trabalhando no limite, o calor adiciona uma demanda extra capaz de desencadear isquemia, arritmias ou descompensação da insuficiência cardíaca.
Sinais de alerta
Alguns sinais de alerta indicam que o coração pode estar sofrendo com o calor, de acordo como Dr. Gladistone Coghetto Junior. São eles:
- Tontura ou sensação de desmaio ao levantar;
- Palpitações ou batimentos irregulares;
- Falta de ar desproporcional ao esforço;
- Dor ou aperto no peito;
- Inchaço repentino nos tornozelos (ou piora do inchaço pré-existente);
- Confusão mental ou fraqueza extrema;
- Sudorese fria com pele pálida.
"Qualquer um desses sintomas exige repouso imediato em local fresco e avaliação médica urgente", recomenda.
Grupos mais vulneráveis
Quando se fala em saúde do coração no calor, alguns grupos são mais vulneráveis e merecem cuidadoses pecíficos. O Dr. Gladistone destaca, em ordem de prioridade:
- Idosos (>65 anos), apresentam termorregulação menos eficiente;
- Pessoas com insuficiência cardíaca, doença coronariana ou arritmias;
- Hipertensos, mesmo quando controlados;
- Diabéticos, devido à possível alteração da percepção de sede e disfunções autonômicas;
- Pessoas com IMC > 30, pois o excesso de tecido adiposo dificulta a dissipação de calor;
- Crianças pequenas e gestantes, que também apresentam maior vulnerabilidade ao calor.
Atenção ao uso de medicamentos no calor
O uso de certos medicamentos pode exigir atenção especial em dias quentes. O Dr. Gladistone Coghetto Junior pede atenção redobrada com diuréticos, que aumentamo risco de desidratação e hipotensão; betabloqueadores, que reduzem a capacidade do coração de aumentar a frequência cardíaca para compensar o calor; inibidores da ECA e BRAs, que podem provocar hipotensão em casos de hipovolemia; e antiarrítmicos e digoxina, cujos níveis podem se elevar com a desidratação. "Nunca suspenda ou altere doses por conta própria, mas avise seu cardiologista se houver ondas de calor intensas", orienta.
Cuidados básicos para proteger o coração no calor
Algumas medidas simples podem ajudar a proteger o coração durante uma onda de calor. É importante beber água antes de sentir sede, em média de 2 a 3 litros por dia, ajustando a quantidade ao peso e às medicações; consumir frutas ricas em água e potássio, como melancia, melão, laranja e banana; utilizar ventilador ou ar-condicionado, mantendo a temperatura ideal entre 24 e 26 °C; tomar banhos mornos ou aplicar toalhas úmidas nos pulsos e na nuca; evitar bebidas alcoólicas e com excesso de cafeína; e planejar atividades físicas para o início da manhã ou final da tarde, quando as temperaturas são mais amenas.
Prática de atividades físicas no calor
A prática de atividades físicas deve ser ajustada no calor para evitar sobrecarga cardíaca. O Dr. Gladistone recomenda reduzir a intensidade do exercício em 20 a 30%, diminuir a duração ou dividir em blocos menores, optar por atividades mais leves como caminhadas, hidroginástica ou yoga em ambientes climatizados, monitorar a frequência cardíaca sem ultrapassar 70 a 75% da FC máxima em dias muito quentes e interromper imediatamente a atividade ao sentir qualquer sintoma de alerta.
Recomendações médicas para a saúde do coração no calor
As recomendações médicas para manter a saúde cardiovascular durante períodos de altas temperaturas prolongadas incluem monitorar diariamente a pressão arterial e a frequência cardíaca, manter as consultas cardiológicas em dia para ajustar medicações se necessário, elaborar com o médico um "plano de onda de calor" que indique quando procurar atendimento de emergência e quando usar doses extras de diurético, dormir em um ambiente fresco, com temperatura do quarto abaixo de 26 °C para melhorar a recuperação cardíaca noturna, e pesar-s etodas as manhãs, pois variações superiores a 1 kg em 24 horas são sinais d ealerta.
"O calor não precisa ser inimigo do coração quando sabemos nos proteger. Aqui no Kurotel oferecemos ambientes climatizados, cardápios ricos em frutas da estação, águas saborizadas naturais e atividades físicas adaptadas - tudo pensado para você curtir o verão mesmo nos dias mais quentes, com segurança e conforto", ressalta o Dr. Gladistone.

Dr. Gladistone Coghetto Junior - Graduação pela Universidade do Oeste de Santa Catarina (UNOESC) em 2015. Pós-Graduação em Medicina Paliativa pela UNOESC em 2017. Pós-Graduação em Medicina de Urgência Associação Brasileira de Medicina de Urgência e Emergência em 2020. Pós-Graduação em Medicina Intensiva pelo Hospital Israelita Albert Einstein em 2021. Pós-Graduação em Nutrologia Clínica pela Afya Educação Médica em 2023 - CRM: 52111-RS