Corpo e Mente

Riscos do calor intenso para idosos e como preveni-los

19/2/2026
Kurotel
Riscos do calor intenso para idosos e como preveni-los

Com o aumento das temperaturas e a ocorrência cada vez mais frequente de ondas de calor, a atenção à saúde dos idosos torna-se ainda mais essencial. O calor intenso pode representar sérios riscos para essa faixa etária, já que o organismo tende a ter mais dificuldade para regular a temperatura corporal e perceber sinais de desidratação ou mal-estar. Problemas como insolação, desidratação, queda de pressão e agravamento de doenças crônicas podem surgir com mais facilidade.

Nesse contexto, segundo o Dr. Bruno Vianei, médico da equipe técnica do Kurotel, os idosos são mais vulneráveis aos efeitos do calor intenso em comparação com adultos mais jovens, pois possuem um mecanismo de controle e estabilidade da temperatura corporal (chamado de termorregulação) menos eficiente. Há uma menor dilatação dos vasos sanguíneos da pele e uma redução na capacidade do corpo de eliminar o calor para o ambiente.

Outro fator relevante é a sudorese reduzida associada à diminuição da resposta autonômica, o que resulta em pior "reserva" cardiovascular para sustentar o bombeamento cardíaco e a irrigação sanguínea da pele. Dessa forma, menos fluidos corporais chegam às glândulas sudoríparas, localizadas na pele, levando a uma menor produção de suor. Além disso, pessoas acima de 60 anos apresentam menor sensação de sede e maior risco de desidratação, o que atrasa o restabelecimento dos níveis adequados de água corporal.

Ainda de acordo com o Dr. Bruno, pessoas idosas frequentemente acumulam doenças crônicas, o que exige o uso concomitante de diversos medicamentos ao longo do dia. Essa condição, conhecida como "polifarmácia", interfere nosprocessos fisiológicos de controle da água e dos minerais do organismo, especialmente com o uso de fármacos como diuréticos, anticolinérgicos, betabloqueadores e psicotrópicos.

Quais são os riscos do calor extremo à saúde do idoso?
O calor extremo representa um risco significativo à saúde da população idosa. A exposição intensa e prolongada ao calor pode desencadear diversas condições clínicas, como desidratação; distúrbios dos eletrólitos circulantes no sangue (cálcio, sódio e potássio); cãibras; exaustão pelo calor; insolação e queimaduras de pele. Além disso, podem ocorrer redução da pressão arterial, aumento do risco de quedas e desenvolvimento de insuficiência ou injúria renal aguda.

Em condições extremas, completa o médico, há risco bem definido de descompensação cardiovascular (como hipotensão, desmaios, arritmias e isquemia) assim comoacidente vascular encefálico, bem como aumento do risco de eventos trombóticosno contexto de desidratação.

Quais doenças podem ser agravadas pelas ondas de calor?
Algumas doenças pré-existentes podem se agravar durante ondas de calor, de acordo com o Dr. Bruno Vianei. São elas:
- Cardiovasculares: insuficiência cardíaca, doença arterial coronariana, arritmias e hipertensão arterial (especialmente em pacientes em uso de diuréticos);
- Renais: doença renal crônica (com risco de insuficiência renal aguda devido à redução do volume sanguíneo circulante);
- Respiratórias: doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) e asma, uma vez que o calor extremo frequentemente coexiste com piora da qualidade do ar;
- Neurológicas/cognitivas: demência e histórico de acidente vascular cerebral (associados a pior autocuidado e menor capacidade de resposta ao estresse térmico);
- Endócrino-metabólicas: diabetes (com maior risco de desidratação) e obesidade;
- Psiquiátricas: doenças psiquiátricas e uso de medicamentos psicotrópicos, que podem levar à pior percepção do estado geral, além de progressão mais rápida da desidratação e de suas consequências.

Como reconhecer desidratação e exaustão pelo calor em idosos?
Dentro desse cenário, é fundamental identificar precocemente sinais de desidratação ou exaustão pelo calor em idosos, que podem incluir, como destaca o médico, fadiga incomum, fraqueza, tontura e dor de cabeça. Também podem ocorrer náuseas, perda de apetite e câimbras. Apatia e alterações do estado mental de base, como confusão, irritabilidade ou sonolência, são outros sinais importantes.

A sudorese intensa, a pele fria, pálida e pegajosa ou, em alguns casos, pele muito quente em estado febril, também devem ser observadas. Urina escura, redução do volume urinário, boca seca, batimentos cardíacos acelerados e pressão arterial baixa podem indicar desidratação.

Cuidados com a hidratação de idosos no calor
Há orientaçõesespecíficas de hidratação que contribuem para o cuidado e o bem-estar de idososem períodos de altas temperaturas, segundo o Dr. Bruno Vianei. Um princípioimportante é a oferta proativa e regular de líquidos, sem excessos, uma vez quea sensação de sede pode não refletir adequadamente as reais necessidades dapessoa idosa. Na ausência de contraindicações ou restrições à ingestão de água,recomenda-se manter a urina mais clara, com micções regulares, e ofertarpequenos volumes de líquidos a cada 60 a 120 minutos enquanto a pessoa estiveracordada.

Em situações de exposição ao calor ou realização de atividades físicas, a ingestão de água associada a soluções com sais minerais pode ser útil, especialmente quando há sudorese intensa. Deve-se ter atenção especial em casos de insuficiência cardíaca e doença renal crônica avançada, nos quais a ingestão hídrica deve ser ajustada conforme orientação médica, devido ao maior risco de descompensação do estado de bem-estar e de complicações dessas condições. Além disso, recomenda-se evitar o consumo de álcool e reduzir a ingestão de cafeína para uma vez ao dia em pessoas mais sensíveis.

Cuidados com a casa em dias quentes
Também éimportante adaptar a casa para reduzir o impacto das altas temperaturas nobem-estar do idoso, conforme o Dr. Bruno. Durante o dia, recomenda-se manter oambiente arejado e bem ventilado e, em caso de insolação intensa, utilizarmeios físicos para reduzir a exposição solar, como cortinas, blackout oupersianas, além de atentar para a possível irradiação de calor por equipamentose lâmpadas, evitando a exposição prolongada próxima a essas fontes.

À noite, deve-se seguir o mesmo princípio, mantendo o ambiente ventilado e/ou climatizado em temperatura amena, tendendo para mais fria, idealmente entre 23°C e 25°C. Ademais, pode ser útil criar um "cômodo-refúgio", preferencialmente o mais fresco da residência, com água em temperatura ambiente ou levemente resfriada disponível, roupas leves, compressas ou toalhas úmidas e a possibilidade de banho em temperatura ambiente ou discretamente fria.

Como o Kur pode ajudar?
O Kurotel, melhor spa médico das Américas, adota uma abordagem preventiva e comportamental para auxiliar pessoas acima de 60 anos a lidar melhor com os riscos do calor, por meio da conscientização sobre fotoproteção, hidratação adequada e exposição solar. A equipe multidisciplinar realiza avaliação clínica individualizada para identificar riscos e comorbidades, permitindo a elaboração de protocolos personalizados de hidratação, eletrólitos e ambiência terapêutica.

O cuidado inclui controle térmico dos ambientes, rotinas seguras de exercícios físicos,estratégias para melhorar o sono em períodos de calor e ações educativas para idosos e cuidadores, com critérios claros de alerta para sinais de descompensação clínica. Clique aqui e saiba mais!

 


Dr. Bruno Vianei - Formado pela Universidade Federal do Amazonas, em 2018, e pós-graduando em Medicina Funcional Integrativa pela Sociedade Brasileira de Medicina Funcional Integrativa (SBMFI) - CRM-RS 48.494

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