Corpo e Mente

Hipertensão arterial: a prevenção começa pelo estilo de vida

18/5/2026
Kurotel
Hipertensão arterial: a prevenção começa pelo estilo de vida

O Dia Mundial da Hipertensão Arterial é comemorado anualmente em 17 de maio. A data foi instituída para conscientizar a população sobre os riscos da pressão alta, a importância do diagnóstico precoce e a prevenção dessa doença silenciosa que afeta milhões de pessoas no mundo. Mas, lembre-se, a data é apenas um lembrente referente ao cuidado que se deve ter ao longo da vida.

Conforme o Ministério da Saúde, em 90% dos casos a Hipertensão Arterial é uma doença herdada dos pais. Mas, vários fatores relacionados ao estilo de vida também contribuem nos níveis de pressão arterial como o fumo, a bebida alcoólica, a obesidade, o colesterol, o consumo excessivo de sal, estresse e sedentarismo.

De acordo com Dr. Bruno Vianei, médico da equipe técnica do Kurotel, a Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) possui uma prevalência global estimada em torno de 30 a 40% dos adultos, sendo no Brasil, próximo dos 30%. Atualmente, a HAS é o principal fator de risco modificável para as doenças cardiovasculares como o Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) e o acidente vascular cerebral (AVC), assim como doença renal crônica e a demência vascular. “A HAS é uma doença ‘silenciosa’, é comum não haver sintomas característicos. O diagnóstico, portanto, costuma ser tardio”, explica Dr. Vianei, complementando que, por picos de pressão alta e respectivas complicações agudas e crônicas, há uma carga econômica elevada nas internações hospitalares.

Apesar de ser uma doença prevenível, a Hipertensão Arterial Sistêmica é, ao mesmo tempo, responsável por mais de 10 milhões de mortes por ano no mundo. Nesse sentido, Dr. Bruno destaca que na infância geralmente não é preconizada a aferição de pressão, exceto em casos de obesidade infantil e doenças endócrinas, como a Síndrome de Cushing. Já a partir dos 18 anos, recomenda-se aferição periódica anual.

Aos 40 anos ou na presença de fatores de risco como obesidade, diabetes mellitus, história familiar, orienta-se a monitorização mais frequente, nas consultas médicas e de enfermagem em consultório associado ao Monitoramento Residencial da Pressão Arterial (MRPA). “Para confirmação diagnóstica ou controle de tratamento, pode-se lançar mão do exame padrão ouro chamado Monitoramento Ambulatorial da Pressão Arterial (MAPA), que é uma aferição automática e recorrente da pressão arterial do braço durante 24 horas”, pontua Dr. Vianei.

Para que a doença não pegue você “de surpresa”, Dr Bruno aponta que é importante ficar atento aos principais fatores modificáveis que contribuem para o descontrole da pressão arterial como:
- Excesso de sódio alimentar (>5 g sal/dia)
- Sedentarismo
- Sobrepeso e obesidade
- Consumo de álcool
- Privação de sono / apneia obstrutiva do sono
- Estresse elevado e crônico
- Dieta ultraprocessada
- Tabagismo
- Disbiose intestinal

Considerando os fatores modificáveis e obtendo mudanças no estilo de vida, Dr. Bruno afirma que é possível controlar a hipertensão arterial sistêmica ainda no estágio 1 (Pressão Arterial <160/100 mmHg), associado a baixo risco cardiovascular global e ausência de lesão de órgão-alvo, exemplo AVC prévio, retinopatia hipertensiva, IAM prévio, Doença Renal Crônica (DRC). Ele acrescenta que há uma previsão de reduções dos valores pressóricos com intervenções isoladas:

- Recomposição corporal (emagrecimento): ↓ 5–20 mmHg
- Dieta rica em fibras, potássio, baixa em sódio: ↓ 8–14 mmHg
- Redução do excesso de sódio alimentar: ↓ 5–6 mmHg
- Prática regular de exercício físico: ↓ 4–9 mmHg

Entenda como a alimentação influencia diretamente a pressão arterial

Dr. Bruno destaca que a alimentação atua por vários mecanismos complexos e inter-relacionados:
a) Regulação do sistema hormonal renina-angiotensina-aldosterona.
b) Modulação endotelial, que é a camada interna dos vasos sanguíneos, levando à maior produção de óxido nítrico.
c) Controle da insulina e inflamação.

Entre os ajustes alimentares com maior evidência, estão:
- Dietas DASH e Mediterrânea
- Redução de sódio (<2 g/dia de sódio ≈ 5 g sal)
- Aumento do consumo de fontes alimentares de potássio (frutas, vegetais), magnésio, fibras.
- Redução drástica do consumo de ultraprocessados e carboidratos simples.

Estresse x aumento da pressão arterial
Nos últimos tempos, o estresse vem acarretando muitas doenças, e na pressão arterial ele tem relação direta e proporcional, frisa Dr. Bruno. Ele explica que quando o estresse é crônico há ativação recorrente e repetida do eixo hormonal Hipotálamo-Hipófise-Adrenal (Eixo HPA). Isto acarreta em aumentos do hormônio cortisol. “Este fato é responsável por aumentar a atividade do sistema nervoso autônomo simpático que culmina em aumento da pressão arterial através da vasoconstrição e aumento da frequência cardíaca. Este processo danoso ao organismo se torna um ciclo vicioso levando à disfunção e enrijecimento dos vasos sanguíneos. O resultado? Elevação sustentada da pressão arterial, inflamação crônica de baixo grau e aumento de risco para outros adoecimentos (AVC, diabetes, demência)”, destaca.

Por isso, o controle adequado da pressão arterial, aliado a bons hábitos, torna o indivíduo com maior longevidade de saúde, não somente no aumento da expectativa de vida. “Há redução de até 40% risco de AVC. Diminuição de até 25% risco de IAM. Ocorre preservação cognitiva, proteção ocular, cardíaca, vascular, renal. Melhora da qualidade de vida e maior longevidade funcional”, frisa Dr. Bruno.

Rotina leve de exercícios e a melhora significativa da pressão arterial
O médico da equipe técnica do Kurotel também avalia que, mesmo em intensidades baixas, a prática regular de exercício físico já tem impacto clínico relevante. Caminhada leve/moderada (150 min/semana) auxilia na redução da pressão arterial sistólica em 5 a 8 mmHg.

Benefícios adicionais: Melhora a sensibilidade à insulina e reduz a ativação e tônus do sistema nervoso autônomo simpático, responsável por preparar o corpo para lutar e fugir (vasoconstrição, estresse, tensão e aumento da pressão arterial).

Por que muitas pessoas têm dificuldade em manter hábitos saudáveis a longo prazo?
Dr. Bruno acredita que não há uma razão única. Há um conjunto de fatores que, isolados ou associados, explicam os porquês que muitas pessoas têm dificuldade em manter hábitos saudáveis a longo prazo, entre eles:

- Influência genética e ambiental da neurobiologia do hábito (dopamina/recompensa).
- Ambiente domiciliar, social e comunitário obesigênico.
- Falta de suporte humano e estrutural organizado.
- Metas inalcançáveis.
- Estresse e privação de sono

“A Medicina do Estilo de Vida e Integrativa enfatiza a adoção de pequenas e sustentáveis mudanças. A consistência e regularidade se torna mais importante que a intensidade na construção e manutenção de hábitos saudáveis, completa Dr. Vianei.

Como o Kurotel pode ajudar no controle da hipertensão arterial
A hipertensão arterial sistêmica não é apenas uma doença isolada, mas um marcador sistêmico de desregulação metabólica, vascular e neuroendócrina. O tratamento ideal combina diretrizes tradicionais com uma abordagem integrativa, focada em causa-raiz, estilo de vida e individualização. Entre os diferenciais no Kurotel, estão a abordagem multissistêmica, integrativa, "artesanal" por ser singularizada, coparticipativa, multiprofissional e transdisciplinar.

Baseados em pilares integrativos, vivenciados durante a imersão em saúde é indicado:
1. Nutrição terapêutica - Plano alimentar individualizado (anti-inflamatório, cardiometabólico)
2. Movimento estruturado - Exercício aeróbico + força + recuperação planejada.
3. Sono e ritmo circadiano - Otimização do sono (impacto direto na redução da pressão arterial)
4. Gestão do estresse - Técnicas de relaxamento, respiração, mindfulness.
5. Terapias complementares - Hidroterapia, termoterapia (evidência crescente em função vascular)
6. Monitoramento diário e contínuo.
7. Educação em saúde continuada
8. Processo corresponsável de construção de plano terapêutico e preventivo

Dr. Bruno Vianei - Formado pela Universidade Federal do Amazonas, em 2018, e pós-graduando em Medicina Funcional Integrativa pela Sociedade Brasileira de Medicina Funcional Integrativa (SBMFI) - CRM-RS 48.494

Leia também