
Nos últimos anos, as chamadas “canetas emagrecedoras” passaram a ocupar conversas nos consultórios, nas redes sociais e na rotina de muitas pessoas que desejam perder peso. Mas, diante de tanta informação disponível, surgem dúvidas importantes: quem realmente pode utilizá-las? Quais são os riscos? E é possível manter os resultados ao longo do tempo?
Para o Dr. Bruno Vianei, médico da equipe técnica do Kurotel, esses medicamentos devem ser compreendidos como parte de um tratamento mais amplo. “Eles podem ser ferramentas valiosas para determinadas pessoas, mas não substituem uma avaliação individualizada nem o cuidado com os hábitos que sustentam a saúde”, explica.
O que são as canetas emagrecedoras e para quem são indicadas
O termo popular “canetas emagrecedoras” costuma se referir a medicamentos injetáveis, geralmente de aplicação semanal, que atuam em mecanismos relacionados ao apetite, à saciedade e ao metabolismo da glicose. Entre os medicamentos mais conhecidos estão a semaglutida e a tirzepatida. Eles agem em vias hormonais que envolvem a comunicação entre intestino e cérebro, favorecendo maior sensação de saciedade, redução da fome e melhor controle glicêmico.
Na prática, isso pode facilitar a redução da ingestão alimentar e contribuir para a perda de peso. Porém, o uso não deve ser entendido como uma solução isolada ou puramente estética.
Avaliação além da balança
De acordo com o Dr. Bruno Vianei, a indicação deve sempre partir de uma avaliação médica. De modo geral, esses tratamentos podem ser considerados para adultos com obesidade, caracterizada por Índice de Massa Corporal acima de 30 kg/m², ou para pessoas com sobrepeso associado a condições como pré-diabetes, diabetes tipo 2, hipertensão, colesterol elevado, apneia do sono ou doença cardiovascular. “O perfil ideal não é ‘quem quer emagrecer rápido’, mas quem apresenta síndrome de disfunção metabólica como doença crônica, risco cardiometabólico elevado, resistência insulínica, transtorno de compulsão alimentar, dificuldade sustentada de perda de peso apesar de intervenção estruturada”, explica o especialista.
A avaliação deve ir além da balança, é importante considerar o histórico de peso, a composição corporal, exames laboratoriais, rotina, sono, alimentação, saúde emocional e presença de outras doenças.
Acompanhamento médico é indispensável
Como qualquer medicamento, as canetas emagrecedoras podem provocar efeitos adversos e exigem monitoramento. Dr Vianei destaca as náuseas, refluxo, constipação, diarreia, vômitos e perda excessiva de apetite entre os sintomas que podem ocorrer, especialmente no início do tratamento ou durante ajustes de dose. “O uso sem critérios clínicos bem definidos pode gerar ciclos de perda e reganho de peso, piora da composição corporal, perda de massa muscular, deficiência proteico-calórica, carências macro e micronutricionais, transtorno de comportamento alimentar, dependência psicológica da medicação e abandono dos pilares reais de manutenção de uma composição corporal harmônica”, esclarece o médico da equipe técnica do Kurotel.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) reforça que o uso das "canetas emagrecedoras" deve fazer parte de cuidado integrado e longitudinal, não de uma intervenção isolada. Nesse contexto, dr. Bruno pontua: “A obesidade é uma doença crônica e recidivante. Portanto, suspender o tratamento sem estratégias personalizadas de estilo de vida orientadas e prescritas, costuma frequentemente favorecer reganho de peso.”
Por isso, o tratamento deve incluir estratégias para garantir ingestão proteica adequada, hidratação, prática de exercícios, especialmente os que estimulam força muscular, e acompanhamento periódico de parâmetros clínicos e metabólicos.
Medicamento não substitui mudança de hábitos
É possível que uma pessoa perca peso usando apenas a medicação. No entanto, isso não significa que ela tenha construído as condições necessárias para manter o resultado depois.
A obesidade é uma doença crônica e multifatorial. Sono inadequado, estresse persistente, sedentarismo, alimentação desequilibrada, compulsão alimentar, baixa massa muscular e alterações metabólicas podem fazer parte desse cenário.
Com isso, a medicação pode abrir uma importante janela de oportunidade: reduzir a fome e facilitar o início do processo, enquanto a pessoa desenvolve uma relação mais consciente com a alimentação, o movimento, o descanso e a própria saúde. “Sem mudança estruturada e consistente do estilo de vida, a pessoa emagrece, mas não necessariamente permanece em adequada composição corporal, nem metabolicamente mais saudável”, destaca o médico.
A certeza é: emagrecer exige mudanças comportamentais e intelectuais. Se você apenas utiliza canetas emagrecedoras, poderá ter problemas de saúde, pois a medicação é um auxiliar no processo de emagrecimento. Dr Bruno reforça que uma das grandes razões do reganho de peso é que o medicamento emagrece a pessoa ao invés de a pessoa emagrecer. “Emagrecer ou recompor a macroestrutura do corpo é um processo ativo. Exige mudanças comportamentais e intelectuais. Pessoas que apenas usam a medicação sem aprimorar nenhum pilar do estilo de vida (sono, movimento, alimento, intestino-digestão, relaxamento, espiritualidade, relações humanas) são passivas no processo de mudança de composição corporal. Ou seja, estas pessoas são emagrecidas, ao invés de emagrecerem”, adverte o dr. Vianei.
Como o Kurotel pode ajudar?
No Kurotel, os medicamentos para controle de peso são considerados ferramentas médicas dentro de uma abordagem individualizada e multiprofissional. No programa com foco em Uso Assistido de Emagrecedores, as medicações não são vistas como solução isolada.
A partir da hospedagem em Método Kur, indicado de 7 a 10 dias, o cliente passa por diferentes avaliações. O plano envolve acompanhamento médico, orientação nutricional, realização de exercícios físicos supervisionados, estratégias para melhorar o sono e o relaxamento, cuidado psicológico e monitoramento de possíveis efeitos adversos.
Antes de iniciar o tratamento, são avaliados aspectos como composição corporal, circunferência abdominal, histórico clínico, exames metabólicos, função renal e hepática, saúde cardiovascular, alimentação, sono, saúde mental e medicamentos de uso contínuo.
Dr. Bruno comenta que o objetivo não é apenas acompanhar a redução de peso, mas observar indicadores mais amplos de saúde: preservação de massa muscular, melhora da glicemia, controle da pressão arterial, disposição, qualidade do sono e relação com a alimentação. “A forma adequada envolve diagnóstico médico, avaliação de IMC, circunferência abdominal, composição corporal, histórico de peso, exames laboratoriais metabólicos, função renal/hepática, risco cardiovascular, padrão alimentar, sono, saúde mental, medicações em uso contínuo, suplementação e contraindicações. A prescrição deve ser individualizada e com titulação gradual”, detalha o médico.
No contexto funcional integrativo, a pergunta central não é apenas “quanto peso perdeu?”, mas: perdeu gordura preservando o músculo? melhorou sono, glicemia, pressão arterial? Reduziu inflamação crônica de baixo grau? Aprimorou disposição, relação com o alimento e autonomia? “O melhor uso é aquele que transforma o período de uso da medicação em janela de oportunidade para reprogramar hábitos, prevenir adoecimentos e reduzir riscos cardiovasculares, metabólicos e oncológicos de forma duradoura”, conclui Dr. Bruno Vianei.
Cuidar da saúde é, de fato, a melhor opção
Contudo, entende-se que as canetas emagrecedoras representam um avanço importante no tratamento da obesidade e de condições metabólicas associadas ao peso, fato! Mas a mensagem que deve permanecer é que seus melhores resultados acontecem quando fazem parte de um plano de cuidado contínuo, responsável e personalizado.
Emagrecer com saúde não significa buscar apenas uma transformação rápida. Significa construir escolhas que possam ser mantidas, preservar a força do corpo, reduzir riscos e desenvolver uma relação mais equilibrada com a própria saúde.

Dr. Bruno Vianei - Formado pela Universidade Federal do Amazonas, em 2018, e pós-graduando em Medicina Funcional Integrativa pela Sociedade Brasileira de Medicina Funcional Integrativa (SBMFI) - CRM-RS 48.494