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Câncer de ovário: sintomas que muitas mulheres ignoram e quando procurar avaliação

28/9/2026
Kurotel
Câncer de ovário: sintomas que muitas mulheres ignoram e quando procurar avaliação

O câncer de ovário pode apresentar sintomas mesmo em seus estágios iniciais. O desafio é que muitos deles se confundem com alterações digestivas, urinárias ou com mudanças frequentemente atribuídas à menopausa.

Segundo a Dra. Daniele Rossi, médica da equipe técnica do Kurotel, observar a frequência e a persistência desses sinais é fundamental. Uma mudança que passa a fazer parte da rotina, especialmente quando não existia antes, deve ser investigada.

Quais são os primeiros sintomas do câncer de ovário?

Entre os sintomas mais frequentes estão o aumento persistente do volume abdominal, dor abdominal ou pélvica contínua e sensação de saciedade precoce, quando a pessoa se sente satisfeita mesmo após ingerir uma pequena quantidade de alimento.

Dra. Daniele aponta que também podem ocorrer alterações urinárias, como aumento repentino da frequência ou urgência constante para urinar, além de mudanças no funcionamento intestinal, como o aparecimento de constipação. Fadiga excessiva sem uma causa aparente também pode estar presente.

Importante entender, esses sintomas, isoladamente, não significam que exista um câncer de ovário. O que merece atenção é o surgimento de um padrão diferente do habitual e sua continuidade ao longo do tempo.

Por que os sintomas podem passar despercebidos?

Grande parte dos sinais relacionados ao câncer de ovário também aparece em situações muito mais comuns. Flatulência, síndrome do intestino irritável e infecções urinárias, por exemplo, podem provocar desconfortos semelhantes.

A localização dos ovários também interfere na percepção dos sintomas. Como estão em uma região profunda da pelve, o crescimento inicial de uma alteração pode ocorrer sem provocar uma dor aguda e bem localizada.

Por isso, é comum que a mulher associe o aumento do volume abdominal ao ganho de peso, o desconforto ao que comeu e alterações do organismo ao estresse ou à menopausa. Em alguns casos, a primeira procura por atendimento acontece com clínicos gerais ou gastroenterologistas, antes que se considere uma causa ginecológica.

Persistência e frequência são sinais de atenção

A médica do Kurotel explica que a intensidade, sozinha, nem sempre é o melhor parâmetro para avaliar um sintoma. Uma distensão abdominal depois de uma refeição mais pesada pode acontecer ocasionalmente. Quando o inchaço ou a saciedade precoce passam a ocorrer quase todos os dias, a situação merece uma avaliação diferente.

A orientação da Dra. Daniele é para observar mudanças no padrão habitual do organismo. Sintomas abdominais, digestivos ou pélvicos que se tornam frequentes e persistentes devem ser levados ao ginecologista. O mesmo vale para perda de apetite e perda de peso sem explicação. A presença desses sinais não confirma a doença, mas justifica investigação médica.

Quem apresenta maior risco para câncer de ovário?

A incidência do câncer de ovário aumenta após a menopausa e apresenta um pico em torno dos 60 anos. A história genética tem peso importante, destaca Dra. Daniele. Mutações hereditárias nos genes BRCA1 e BRCA2 e alterações relacionadas à Síndrome de Lynch estão entre os fatores associados ao aumento do risco.

Também entram nessa avaliação a nuliparidade, quando a mulher nunca teve uma gestação, a primeira menstruação em idade precoce, a menopausa tardia, a obesidade, o tabagismo e o histórico de endometriose. Por outro lado, gestações e o uso de pílulas anticoncepcionais estão entre os fatores considerados protetores.

A presença de um ou mais fatores de risco não significa que a mulher desenvolverá a doença. Essas informações ajudam o médico a compreender o risco individual e definir a necessidade de acompanhamento ou investigação específica.

Existe exame de rastreamento para câncer de ovário?

Atualmente, não há um exame de rotina recomendado para rastrear câncer de ovário em mulheres assintomáticas. O ultrassom transvaginal e a dosagem do marcador CA-125 podem fazer parte da investigação em determinadas situações, mas não demonstraram redução da mortalidade quando utilizados como exames de rastreamento de rotina. Além disso, podem apresentar resultados falso-positivos.

Esses recursos são utilizados conforme avaliação médica, especialmente diante de sintomas, alterações encontradas no exame ginecológico ou maior risco para a doença. Na prática, a orientação é manter o acompanhamento ginecológico periódico e procurar avaliação quando surgirem sintomas novos e persistentes.

Por que a consulta ginecológica é tão importante?

Como não existe um rastreamento de rotina eficaz para a população geral, a história relatada pela mulher durante a consulta ganha ainda mais importância.

O exame pélvico tem limitações na identificação de tumores muito pequenos. Por isso, a escuta clínica é fundamental. Informações aparentemente simples, como um inchaço abdominal que se tornou frequente, uma mudança intestinal ou uma nova urgência para urinar, podem orientar o médico sobre a necessidade de exames complementares.

Ao cruzar os sintomas com idade, histórico pessoal e fatores de risco, o ginecologista consegue definir os próximos passos da investigação.

Histórico familiar exige atenção específica

Mulheres com mãe, irmã ou filha que tiveram câncer de ovário, mama ou outros tumores relacionados a síndromes hereditárias devem conversar com o ginecologista sobre avaliação de risco e aconselhamento genético. Testes genéticos podem investigar alterações como as mutações nos genes BRCA1 e BRCA2 e aquelas relacionadas à Síndrome de Lynch.

Quando uma mutação de alto risco é identificada, o acompanhamento deve ser individualizado. Em algumas situações, após a conclusão da vida reprodutiva, pode haver indicação de salpingo-ooforectomia bilateral redutora de risco, cirurgia que retira as trompas e os ovários.

Para mulheres sem mutações de alto risco, a salpingectomia oportunista, com retirada das trompas durante uma histerectomia indicada por uma condição ginecológica benigna, pode ser considerada em determinadas situações. Evidências atuais indicam que um dos tipos de câncer de ovário pode ter origem nas tubas uterinas. A decisão sobre qualquer procedimento deve considerar o histórico individual e ser discutida com o médico responsável.

Papanicolau detecta câncer de ovário?

Essa é uma dúvida importante porque existe uma confusão frequente entre os diferentes exames ginecológicos. O Papanicolau é utilizado para o rastreamento de alterações do colo do útero. Ele não avalia diretamente os ovários e não é um exame para detecção do câncer de ovário.

Manter o preventivo em dia continua sendo parte importante do cuidado ginecológico, mas isso não substitui a avaliação de sintomas abdominais, urinários ou pélvicos.

Também é importante evitar que alterações novas sejam automaticamente atribuídas à idade ou à menopausa. Inchaço persistente, dor ou desconforto pélvico, mudanças intestinais ou urinárias, perda de apetite e perda de peso sem explicação devem ser relatados ao médico quando passam a fazer parte da rotina.

Como o Kurotel pode contribuir?

No Kurotel, a avaliação médica permite revisar sintomas, mudanças recentes na saúde e histórico familiar dentro de uma abordagem preventiva e individualizada.

Quando existe suspeita de predisposição hereditária, a avaliação pode apontar a necessidade de aconselhamento e investigação genética. O Kurotel dispõe de exame genético que analisa mutações relacionadas ao risco hereditário de diferentes tipos de câncer, incluindo alterações nos genes BRCA1 e BRCA2.

A indicação do teste e a interpretação dos resultados são feitas individualmente, considerando o histórico pessoal e familiar. Esse acompanhamento também permite olhar para outros aspectos da saúde e para hábitos que fazem parte da rotina. No caso do câncer de ovário, uma orientação permanece especialmente importante: mudanças persistentes no organismo merecem ser relatadas e avaliadas.

Dra. Daniele dos Santos Rossi - Formada pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, em 2018, e pós-graduada em Dermatologia Clínica pelo Instituto Brasileiro de Ciências Médicas (IBCMED) em 2022 - CREMERS 45962

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