
Manter o diabetes sob controle depende de um conjunto de cuidados diários que vai além de acompanhar a glicemia e tomar os medicamentos: alimentação individualizada, atividade física regular, sono de qualidade, acompanhamento médico com exames periódicos e atenção à saúde emocional. Segundo o Dr. Gladistone Coghetto Junior, da equipe técnica do Kurotel, o objetivo não é buscar a perfeição todos os dias, e sim construir uma rotina de cuidado que seja possível manter ao longo do tempo.
Na sequência, o profissional explica cada um desses cuidados e responde às dúvidas mais comuns de quem convive com o diabetes.
Quais são os cuidados diários do controle do diabetes?
Alimentação equilibrada, atividade física regular e sono adequado formam os três grandes pilares do cuidado diário, e o ideal é que façam parte da rotina desde o diagnóstico. Como resume o Dr. Gladistone, não se trata apenas de "baixar o açúcar no sangue", mas de cuidar do metabolismo e da saúde como um todo.
Na alimentação, não existe uma dieta única que funcione para todas as pessoas. O caminho é construir um padrão alimentar individualizado, que respeite as necessidades metabólicas, os hábitos, as preferências e a rotina de cada um.
Na atividade física, a recomendação geral é de pelo menos 150 minutos por semana em intensidade moderada. E os pequenos movimentos também contam: evitar longos períodos sentado e fazer pausas para se movimentar ao longo do dia ajudam a construir um estilo de vida mais ativo.
O terceiro pilar, muitas vezes esquecido, é o sono. Dormir bem, em quantidade e em qualidade, participa da regulação da glicemia, do peso, da pressão arterial e de diversos aspectos da saúde metabólica.
Quais erros são mais comuns depois do diagnóstico?
O erro mais frequente é imaginar que tratar o diabetes se resume a tomar um medicamento e cortar alguns alimentos. Na prática, o tratamento é contínuo e precisa acompanhar as mudanças do organismo e da vida de cada pessoa.
Dr. Gladistone destaca outros pontos que merecem atenção:
- Cuidar apenas quando a glicemia está alterada. O diabetes pode permanecer silencioso por bastante tempo, mesmo quando já existem alterações metabólicas. Por isso, esperar os sintomas aparecerem não é uma boa estratégia.
- Não reavaliar o plano. Uma mudança alimentar ou um programa de exercícios precisa ser revisto conforme os resultados, a rotina e as necessidades individuais.
- Deixar os exames de lado. A hemoglobina glicada mostra o comportamento médio da glicemia nos últimos meses e ajuda a identificar quando o tratamento precisa de ajustes.
- Desconhecer a relação entre alimentação, exercício e medicação. Para quem usa insulina ou determinados medicamentos, ignorar essa interação pode aumentar o risco de hipoglicemia, especialmente durante ou após a atividade física.
Ou seja, para o médico, o maior desafio muitas vezes não é saber o que fazer, mas transformar o cuidado em um hábito contínuo e sustentável.
Como o estresse e a ansiedade afetam a glicemia?
O estresse provoca respostas físicas no organismo que podem interferir diretamente na glicemia. "O estresse não acontece apenas na cabeça", lembra o Dr. Gladistone.
Em situações de tensão, o corpo libera hormônios como cortisol e adrenalina, que preparam o organismo para enfrentar uma ameaça. Um dos efeitos é o aumento da glicose disponível no sangue, o que, em quem tem diabetes, pode dificultar o controle glicêmico. Quando o estresse é frequente ou prolongado, esse impacto pode ser ainda mais relevante. Além disso, a ansiedade e a sobrecarga emocional costumam atrapalhar hábitos importantes do tratamento, como a alimentação equilibrada, a atividade física, o sono e o uso correto dos medicamentos.
Dr. Gladistone frisa que existe ainda o chamado sofrimento relacionado ao diabetes, ou distress diabético: o desgaste emocional de conviver diariamente com uma condição crônica e com as muitas decisões que o tratamento exige. Esse sofrimento também está associado a um pior controle glicêmico. Por isso, cuidar da saúde emocional não é algo separado do tratamento; faz parte do cuidado metabólico.
O cuidado muda entre o diabetes tipo 1 e o tipo 2?
Sim, em alguns pontos importantes. Alimentação, atividade física, sono e acompanhamento médico importam nos dois tipos, mas há diferenças que vale conhecer.
No diabetes tipo 1, o organismo deixa de produzir insulina adequadamente e, por isso, a reposição de insulina é indispensável. Como a insulina influencia diretamente o uso da glicose durante o exercício, a atividade física pede um planejamento maior para evitar quedas excessivas da glicemia.
No diabetes tipo 2, a necessidade de insulina varia conforme a evolução da doença e o tratamento utilizado. Algumas pessoas conseguem controlar a glicemia inicialmente com mudanças no estilo de vida e medicamentos, enquanto outras podem precisar de insulina.
O risco de hipoglicemia, por sua vez, merece atenção especial em quem usa insulina ou medicamentos que aumentam a liberação de insulina. Nesses casos, é importante aprender a adaptar alimentação, medicação e atividade física com a orientação da equipe de saúde. Em ambos os tipos, o princípio é o mesmo: tratamento individualizado e acompanhado ao longo do tempo.
Com que frequência fazer consultas e exames?
Depende do tipo de diabetes, do tratamento utilizado e, principalmente, de como está o controle. Como referência, a hemoglobina glicada (HbA1c) costuma ser avaliada pelo menos duas vezes ao ano quando o diabetes está estável e dentro da meta. Quando o controle está inadequado ou houve mudança recente no tratamento, a avaliação costuma ser mais frequente, geralmente a cada três meses.
As consultas seguem a mesma lógica: quem está com bom controle pode precisar de menos avaliações, enquanto pessoas com glicemia fora da meta, mudanças recentes de medicação ou maior risco de complicações podem precisar de um acompanhamento mais próximo.
Alguns pacientes também podem se beneficiar da monitorização da glicemia em casa ou do uso de sensores de glicose, especialmente quando existe risco de hipoglicemia ou quando a hemoglobina glicada não representa bem as oscilações do dia a dia. Mais do que seguir um calendário rígido, o acompanhamento deve ser proporcional às necessidades de cada pessoa.
Quais sinais indicam que o controle está saindo do ideal?
O primeiro sinal costuma aparecer nos próprios exames: uma hemoglobina glicada acima da meta definida para aquela pessoa ou com tendência de aumento ao longo do tempo. Outros sinais de atenção:
- Na monitorização em casa ou com sensores: valores muito altos ou muito baixos com frequência e oscilações maiores da glicose.
- Sintomas que podem chamar a atenção: sede excessiva, aumento da frequência urinária, cansaço e visão turva.
- Sinais que podem indicar queda excessiva da glicemia: tremores, suor frio, palpitações e mal-estar.
- No tratamento: necessidade cada vez mais frequente de ajustar medicamentos ou surgimento de complicações nos olhos, nos nervos ou nos rins.
Vale lembrar que nem todas as pessoas apresentam sintomas, e é justamente por isso que o acompanhamento periódico é tão importante.
Que cuidados quem tem diabetes deve ter ao praticar atividade física?
A atividade física é altamente recomendada para pessoas com diabetes, e alguns cuidados ajudam a praticá-la com mais tranquilidade, principalmente para quem usa insulina ou medicamentos que podem provocar hipoglicemia.
Nessas situações, a glicemia pode cair durante o exercício ou até algumas horas depois. Por isso, é importante aprender a monitorar a glicose e entender como o próprio organismo responde a diferentes tipos e intensidades de exercício. Exercícios mais intensos, por outro lado, podem fazer a glicemia subir temporariamente durante ou logo após a atividade.
Pessoas com algumas complicações do diabetes, como determinadas formas de retinopatia, neuropatia, doença renal ou insuficiência cardíaca, podem precisar de uma avaliação específica antes de aumentar significativamente a intensidade dos treinos. Para a maioria das pessoas, o mais importante é começar de forma progressiva e construir uma rotina que possa ser mantida no longo prazo.
Como aproveitar festas e viagens sem perder o controle?
Ter diabetes não significa deixar de participar de festas, viagens, jantares e outros momentos de convivência. O convite é encontrar equilíbrio, sem transformar a alimentação em uma fonte permanente de restrições.
Em uma festa, por exemplo, não é preciso chegar com fome para "economizar" ou passar o resto do dia sem comer. Uma estratégia mais interessante é manter a rotina alimentar habitual e, no evento, escolher aquilo que realmente deseja comer, prestando atenção às porções e evitando excessos. Uma refeição diferente do habitual não determina, sozinha, o controle do diabetes: o que importa é o padrão construído ao longo dos dias e das semanas.
Nas viagens, além da alimentação, entram em jogo as mudanças nos horários das refeições, no nível de atividade física e no sono. Essas alterações podem modificar a glicemia e merecem atenção, especialmente para quem usa insulina. Em resumo, é possível aproveitar esses momentos com escolhas conscientes, retomando a rotina habitual na refeição seguinte.
Quais são os 5 cuidados básicos para manter o diabetes sob controle?
1. Tenha uma alimentação individualizada. Mais importante do que seguir uma dieta da moda é encontrar um padrão alimentar adequado às suas necessidades e que possa ser mantido ao longo do tempo.
2. Mantenha-se fisicamente ativo. Procure atingir pelo menos 150 minutos de atividade física moderada por semana e evite passar longos períodos sentado.
3. Acompanhe regularmente a glicemia. A hemoglobina glicada e, quando indicados, a glicemia capilar ou os sensores de glicose ajudam a identificar cedo quando o tratamento precisa de ajustes.
4. Entenda a relação entre exercício, alimentação e medicamentos. Esse cuidado é especialmente importante para quem usa insulina ou medicamentos com risco de hipoglicemia.
5. Cuide também do sono e da saúde emocional. Estresse, ansiedade e noites maldormidas podem dificultar o controle metabólico, e por isso também fazem parte do tratamento.
No fim, como lembra o Dr. Gladistone, controlar o diabetes é construir uma rotina de cuidados possível de manter, acompanhar os resultados e fazer os ajustes necessários ao longo do caminho.
Perguntas frequentes
Existe uma dieta ideal para quem tem diabetes?
Não existe uma dieta única que funcione para todas as pessoas. O mais indicado é um padrão alimentar individualizado, que considere as necessidades metabólicas, os hábitos, as preferências e a rotina de cada um.
Quanto tempo de atividade física é recomendado para quem tem diabetes?
De maneira geral, recomenda-se pelo menos 150 minutos por semana de atividade física de intensidade moderada, além de evitar longos períodos sentado ao longo do dia.
O que é hemoglobina glicada e com que frequência deve ser feita?
É o exame que mostra o comportamento médio da glicemia nos últimos meses. Costuma ser avaliada pelo menos duas vezes ao ano quando o diabetes está estável e dentro da meta, e geralmente a cada três meses quando o controle está inadequado ou houve mudança recente no tratamento.
O estresse pode aumentar a glicemia?
Sim. Em situações de estresse, o corpo libera hormônios como cortisol e adrenalina, que aumentam a disponibilidade de glicose no sangue e podem dificultar o controle glicêmico em quem tem diabetes.
Quem tem diabetes pode aproveitar festas e viagens?
Pode. A orientação é manter a rotina alimentar habitual, escolher com atenção o que deseja comer, cuidar das porções e retomar a rotina na refeição seguinte. Nas viagens, vale observar também as mudanças nos horários, na atividade física e no sono.
Como o Kurotel pode ajudar
No Método Kur, o cuidado com a saúde metabólica é individualizado e baseado em evidências, olhando para os mesmos pilares que o Dr. Gladistone destaca neste texto: alimentação, movimento, sono e saúde emocional, sempre com acompanhamento profissional.
No Kur Wellness São Paulo, é possível consultar com a equipe médica e nutricional para avaliar o momento atual e receber a orientação dos próximos passos, de forma complementar ao acompanhamento com o seu médico. Em Gramado, a imersão do Método Kur reúne consultas médica, nutricional e psicológica, fisioterapia, orientação de educador físico, avaliação corporal por imagem e plano alimentar personalizado, para que cada pessoa possa organizar sua rotina de cuidados com tempo e acompanhamento próximo. Uma experiência dá continuidade à outra, conforme o momento de cada pessoa.