A angústia da perda familiar

A perda de um ente querido sempre é traumática. Não fomos projetados para morrer, buscamos explicações e esperança na fé, sabemos da finitude, mas não estamos preparados para tal acontecimento.

Temos potencial para sobreviver às perdas, mas devemos avaliar em que circunstâncias isto ocorreu, considerando que as perdas inesperadas e/ou de um filho (a) são as mais difíceis, uma vez que um piscar de olhos não se tem mais a presença física daquela pessoa e/ou se inverte a lógica natural da vida, onde quem gera o enterra também.

Os rituais foram criados para auxiliar nesse processo, o velório, a religiosidade, a presença dos amigos e familiares, juntamente com o tempo para o trabalho da dor, que inicialmente é a angústia do vazio, onde é necessário sentir, chorar e colocar para fora o sentimento. Por este motivo, o importante não é conversar ou passar uma mensagem para quem está sofrendo a perda, mas sim acolher, abraçar, escutar, dar afeto e confortar o choro.

Com o passar dos dias é importante auxiliar no processo de orientação e organização desse novo contexto de vida, onde aquela pessoa não estará mais presente, bem como nas implicações práticas da vida, que podem envolver questões legais, econômicas e burocráticas.

Em casos de perda, o apoio psicológico é fundamental, pois o profissional da área dará o suporte necessário para gerar força neste momento. Esta dor é como uma ferida que está inflamada e necessita limpeza e sutura. Mexer nela dói, mas com certeza assim ela irá cicatrizar. A marca e a saudade serão eternas, principalmente nos momentos que remetem a lembranças passadas. As boas irão alimentar a alma e as ruins gerar ainda mais dor e pesar.

O melhor remédio é o tempo e o conforto para quem está passando por este momento. Incentivar a chorar se tiver vontade, sorrir se tiver vontade, sair e se distrair se tiver vontade. Tudo isso pode auxiliar na cura do luto.

Psicólogo do Kurotel Michael Zanchet