News Kur – Longevidade Saudável, Alimentação, Exercícios

A população idosa no Brasil vem crescendo significativamente.  A expectativa de vida está aumentando e junto aumenta à probabilidade de doenças. De acordo com dados de 2014 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a expectativa de vida no Brasil é de 75,2 anos e segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), no Brasil, 5,85% da população tem mais de 65 anos, número que deverá aumentar em 15 vezes até 2025.

O envelhecimento é um processo biológico, natural do ser humano e está diretamente relacionado ao nosso estilo de vida, com o ambiente em que estamos inseridos e com o acúmulo de experiências ao longo dos anos. Ele traz conquistas afetivas, emocionais e materiais. Especialistas acreditam que a longevidade se deve em cerca de 75% ao estilo de vida e apenas 25% aos genes.

Durante o processo do envelhecimento, mudanças no corpo humano ocorrem. A composição corporal vai sofrendo modificações como: aumento da gordura corporal e diminuição da quantidade de água corporal, o que favorece o aumento da prevalência de desidratação. Ocorre diminuição da massa óssea, diminuição da massa muscular, o equilíbrio vai ficando comprometido, com isto, o corpo já não responde com tanta rapidez e agilidade, aumentando o risco de fraturas. Também se observa aumento da prevalência de doenças como hipertensão arterial, obesidade, diabetes, câncer, entre outros.

O exercício físico deveria ser uma prática constante em todas as fases da vida e seus benefícios ultrapassam o limite físico e contribuem para retardar o efeito do envelhecimento. Ele também é muito importante para a saúde mental.

Atualmente as recomendações da geriatria sugerem que o exercício físico seja realizado diariamente com duração de 30 minutos ou mais e de preferência todos os dias da semana, que tenham gasto de energia e melhora do metabolismo e de preferência que sejam realizados pela manhã, com pequena carga e aumento gradativo da intensidade. A musculação, exercícios aeróbicos e os alongamentos são muito importantes.

A musculação auxilia na força muscular principalmente dos membros inferiores e da coluna vertebral, prevenindo o risco de quedas, aumentando o equilíbrio, melhorando a capacidade de locomoção, conservando ou aumentando a massa muscular, melhora da resistência e flexibilidade dos tendões e ligamentos e diminuindo a gordura corporal. Além disso, os exercícios também contribuem para retardar o efeito do envelhecimento, melhoram a postura, a flexibilidade, a pressão arterial e a frequência cardíaca, diminuem as taxas sanguíneas de colesterol, triglicerídeos e açúcar, aumentam o volume de sangue e de ventilação pulmonar, além de prevenir doenças do coração.

Quem pratica exercício fica mais confiante, tem melhor autoestima, humor e vigor, tende a ter menos depressão, estresse, insônia e é mais resistente a doenças.

Mas para um envelhecimento com qualidade é importante realizar mudanças para a adoção de um estilo de vida ativo e saudável. Quatro regras básicas são fundamentais: comer bem, exercitar-se com regularidade, dormir o suficiente e manter-se longe dos maus hábitos.

Dra. Gislaine Bonardi – Médica Geriatra do Kurotel.

O cérebro ao longo dos anos

Emílio Moriguchi, médico geriatra e professor do Departamento de Medicina Interna da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), enfatiza: “Não há fórmulas mágicas para envelhecimento saudável com qualidade ou o chamado “envelhecimento com sucesso”. O maior desafio para isto é a adoção contínua de hábitos saudáveis de vida. Editor associado do periódico médico norte-americano Atherosclerosis, Moriguchi enfatiza que não há como dissociar saúde do corpo e a saúde do cérebro. Elas estão inter-relacionadas e uma depende da outra. Ele afirma que o tempo ideal para se iniciar os cuidados para se ter um envelhecimento saudável é antes do nascimento, com a educação da mãe com hábitos de vida saudáveis para que possa gerar crianças que nasçam saudáveis e que eduque as crianças, desde pequenas, para hábitos de vida saudáveis (incluindo estímulo cerebral para coisas belas e construtivas).

O grande pico de desenvolvimento da nossa memória se dá na transição entre a primeira para segunda infância, posteriormente, da segunda infância para pré-adolescência, com seu maior ápice entre os 25 a 30 anos de idade. O maior declínio da memória começa a partir dos 60 anos, tendo seu pico maior entre 75 a 80 anos, explica o psicólogo do Kurotel Michael Zanchet. As memórias mais afetadas por declínio ao longo da vida são: prospectiva (do planejamento futuro, da agenda), episódica (de fatos, eventos, aprendizagem de novas informações) e memória de trabalho (para dupla ou múltiplas tarefas). A última memória a sofrer influência é a semântica (de longo prazo, de conhecimento geral e conceitual). Por isso, assim como todas as funções do nosso corpo, naturalmente, a memória também envelhece. Dessa forma, é sempre importante exercitar o nosso cérebro e lançarmos estímulos, mas ao mesmo tempo, termos período de reparo e de relaxamento.