A angústia da perda familiar

A perda de um ente querido sempre é traumática. Não fomos projetados para morrer, buscamos explicações e esperança na fé, sabemos da finitude, mas não estamos preparados para tal acontecimento.

Temos potencial para sobreviver às perdas, mas devemos avaliar em que circunstâncias isto ocorreu, considerando que as perdas inesperadas e/ou de um filho (a) são as mais difíceis, uma vez que um piscar de olhos não se tem mais a presença física daquela pessoa e/ou se inverte a lógica natural da vida, onde quem gera o enterra também.

Os rituais foram criados para auxiliar nesse processo, o velório, a religiosidade, a presença dos amigos e familiares, juntamente com o tempo para o trabalho da dor, que inicialmente é a angústia do vazio, onde é necessário sentir, chorar e colocar para fora o sentimento. Por este motivo, o importante não é conversar ou passar uma mensagem para quem está sofrendo a perda, mas sim acolher, abraçar, escutar, dar afeto e confortar o choro.

Com o passar dos dias é importante auxiliar no processo de orientação e organização desse novo contexto de vida, onde aquela pessoa não estará mais presente, bem como nas implicações práticas da vida, que podem envolver questões legais, econômicas e burocráticas.

Em casos de perda, o apoio psicológico é fundamental, pois o profissional da área dará o suporte necessário para gerar força neste momento. Esta dor é como uma ferida que está inflamada e necessita limpeza e sutura. Mexer nela dói, mas com certeza assim ela irá cicatrizar. A marca e a saudade serão eternas, principalmente nos momentos que remetem a lembranças passadas. As boas irão alimentar a alma e as ruins gerar ainda mais dor e pesar.

O melhor remédio é o tempo e o conforto para quem está passando por este momento. Incentivar a chorar se tiver vontade, sorrir se tiver vontade, sair e se distrair se tiver vontade. Tudo isso pode auxiliar na cura do luto.

Psicólogo do Kurotel Michael Zanchet

 

Estresse: trilhando entre o físico, o emocional e o tratamento!

O estresse tem a ver com percepção, toda vez que percebemos uma situação de perigo e/ou ameaça, real ou imaginária, o organismo se adapta para enfrentar; a essa adaptação chamamos de estresse: descarga de adrenalina, baixa as taxas de oxigênio, aumento do ritmo cardíaco, sudorese, tensão muscular, pupila dilata, estou pronto para atacar e/ou me defender.

Nas situações que realmente necessito de enfrentamento, chamamos de uma reação positiva, por exemplo: vou atravessar a rua e vem um carro em alta velocidade e eu corro para fugir; sou impulsionado pelo estresse positivo. Agora, quando interpreto que vou enfrentar um “leão” e no momento é uma “formiga”, acometo o organismo de uma sobrecarga de energia desnecessária, chamamos de um estresse negativo.

Na repetição crônica de percepções inadequadas, começa a desequilibrar o corpo, tendo malefícios físicos e psicológicos em decorrência do estresse. Pode-se citar alguns sintomas que são característicos do estresse crônico: ansiedade, insônia, tristeza, cansaço, taquicardia, hipertensão, problemas gastrointestinais, depressão, dor nas costas, cefaleia.

O mais importante é descartar todas as possibilidades clínicas para estabelecer um tratamento psicológico; não é incomum receber clientes no consultório, encaminhados pelo Médico Cardiologista, com todos os exames cardiológicos adequados, mas com sintomas: hipertensão, taquicardia, sensação de desmaio, insônia; provenientes do corpo somatizar questões emocionais.

Avaliando o cliente, muitas vezes, são traumas passados que a pessoa revive em outras situações e o cérebro interpreta de maneira equivocada, armando no organismo um estado de alerta e perigo. Costumo fazer uma metáfora, digamos que tenha sobrevivido a uma guerra depois de três meses na batalha, retorno ao meu cotidiano e para um lugar tranquilo, naturalmente o cérebro necessita um período de adaptação, num primeiro momento irei ficar olhando para os lados, desconfiado, talvez reviva algumas situações que sinta perigo, mas que não são daquele momento presente e sim dos fatos passados.

No tratamento é importante a avaliação do Médico Psiquiatra para ver a necessidade de farmacologia e a psicoterapia para analisarmos as disfunções cognitivas, pois é na reinterpretação das novas situações e elaboração dos traumas passados internalizados, que vai se estabelecer um novo padrão de ideia, de pensamento e assim elaborar os conflitos emocionais; dessa maneira aos poucos os sintomas vão perdendo função. Como técnicas complementares e fundamentais ao tratamento cito e reforço à importância dos exercícios físicos e das técnicas de relaxamento (massagem, exercícios de respiração diafragmática, yôga, meditação).

A grande relevância da avaliação clínica do Médico é que nos dá a certeza de que esse cliente não tem nenhum risco clínico, pois o profissional e seus exames vão nos dar essa normativa, podendo focar totalmente no componente emocional.

Psicólogo do Kurotel Michael Zanchet