Vamos sair do sedentarismo?

Por que sair do sedentarismo? As respostas nos remetem ao início da espécie humana. Desde os primórdios o homem levava uma vida bastante ativa com atividades físicas diversificadas, relacionadas principalmente a ações de sobrevivência e preservação da espécie. Com a evolução dos tempos, principalmente após os 100 anos da revolução industrial, os avanços tecnológicos facilitaram de tal forma nossas vidas que hoje em dia não precisamos mais sair de casa para realizarmos nossas atividades diárias como trabalhar, conseguir alimentos e manter relações interpessoais, sejam elas reais ou virtuais. Tivemos que substituir essas atividades não mais necessárias por outras que nos possibilitem manter o equilíbrio energético e a homeostase das funções orgânicas. Andamos na contramão da nossa própria história natural e agora o diferencial para uma vida saudável e longeva está na retomada de hábitos simples, mas que fazem toda a diferença: alimentação saudável, de preferência natural e orgânica, prática de exercícios físicos regulares, sono restaurador e o controle do estresse.

Dr. Luiz Felipe, Médico do Esporte complementa que em pleno século XXI, mesmo com todo o conhecimento científico sobre a importância da atividade física para a saúde, estilo de vida e envelhecimento saudável, nos deixamos levar pelo comodismo e, consequentemente, sedentarismo. A maioria das pessoas não se preocupa em ter uma vida saudável, apenas com quanto tempo poderá viver. Todos podem viver bem no que depender de nossas escolhas e atitudes, mas ninguém tem o poder de prever quanto tempo viveremos.

Estudos sobre as doenças crônicas mais prevalentes apontam que 85% delas estão relacionadas aos nossos hábitos, restando pouco para culparmos a genética. Existem mais de cinquenta motivos identificados e comprovados cientificamente relacionados aos benefícios dos exercícios físicos adequados às características individuais de cada pessoa. O médico explica que ao iniciarmos a prática de exercícios físicos estimulamos todos os sistemas orgânicos e iniciamos adaptações fisiológicas que atuam na prevenção de doenças, na manutenção da saúde e no tratamento e reabilitação de uma série de patologias cardiovasculares, respiratórias, musculoesqueléticas, neuropsicológicas, imunológicas, digestivas, endocrinológicas e oncológicas. “Os exercícios devem promover adaptações bioquímicas aeróbias e anaeróbias, em nível celular e sistêmico, estimular as fibras musculares lentas e rápidas e trabalhar as variáveis: resistência, força, flexibilidade e estabilidade para a população em geral e associado à potência e velocidade quando buscamos objetivos específicos como a prática de algumas modalidades esportivas ou profissionais. Antes de iniciar um programa de exercícios é fundamental realizar uma avaliação médica para minimizar os riscos, otimizar o treinamento e receber uma prescrição adequada e individualizada quanto a frequência, duração, volume, intensidade e tipos de exercícios.”

 

A fisioterapeuta Grasiele Schwengber ressalta que o sedentarismo está ligado a 37% das mortes de câncer, 54% dos óbitos por doenças cardiovasculares e 50% dos casos de AVC. Cada hora dedicada ao exercício físico aumenta duas horas o tempo de vida do indivíduo, aponta uma pesquisa da Universidade de Stanford que acompanhou durante 25 anos mais de 17 mil estudantes recém-formados. “Conclui-se, então, que sair do sedentarismo é quase uma questão de sobrevivência, pelo menos da sobrevivência de uma vida plena e saudável em que possamos desfrutar de cada fase da melhor maneira possível.”

Em termos de benefícios, nenhum medicamento consegue ser tão completo quanto o exercício físico, explica Dra. Mariela Silveira Médica Nutróloga.

Dos 45% dos brasileiros acima do peso, só 16% fazem dieta

Quase metade dos brasileiros com mais de 16 anos admite que está acima do peso ideal, mas apenas 16% deles fazem algum tipo de dieta. A percepção dos hábitos alimentares nacionais foi medida pelo Conecta, plataforma online do Ibope, que entrevistou 1.100 internautas de todas as regiões e classes sociais entre 6 e 13 de agosto. O resultado mostra ainda que uma parcela de 49,4% não faz exercício ou se movimenta menos de uma vez por semana. Com pequenas alterações nos índices, os dados confirmam os levantamentos mais recentes do Ministério da Saúde. De acordo com o órgão, a obesidade já atinge metade dos brasileiros. O que o Conecta revela agora é que o excesso de peso não é mais escondido, mas assumido por quem briga com a balança. Essa nova consciência explica porque 88,7% das pessoas reconhecem que devem mudar seus hábitos alimentares de forma radical ou moderada.

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