Memória, uma joia cada vez mais valorizada

Para o ser humano, o significado de memória traz uma aproximação muito grande ao de “identidade”. Isto porque, ela fornece dados importantes sobre a vida de uma pessoa, tanto no presente quanto no passado. “Lembrar-se de fatos como uma viagem inesquecível, o nascimento de um filho, a vitória do time e o número do RG, refere-se a dados da memória. Entretanto, muitas vezes, o valor só é dado quando começam a surgir falhas”. A explicação é de Michael Zanchet, psicólogo do Kurotel.

Para Iván Antônio Izquierdo, médico e neurocientista, especialista nos mecanismos da memória com reconhecimento internacional, houve muitíssimos avanços nos últimos 20 anos nos estudos do tema. “Em primeiro lugar, começamos a entender melhor não só que as estruturas cerebrais participam do processamento da memória, mas também o mecanismo bioquímico do processamento em algumas dessas estruturas”.  “Acostumamo-nos com o fato de que ocorre neurogênese (nascimento de novos neurônios) ao longo da vida, e que isso nada tem a ver com a formação nem a manutenção de memórias.”

Para o pesquisador, os melhores cuidados preventivos com a memória estão na manutenção de uma dieta equilibrada, ter horas de sono suficientes e usar e praticar reiteradamente o armazenamento de informações. “A atividade cognitiva que mais utiliza a memória e mais a exercita é a leitura”, sinaliza. Segundo Rochele Paz da Fonseca, neuropsicóloga, doutora em Psicologia do Desenvolvimento e também uma das responsáveis pela implantação do Programa Memória do Kurotel, o melhor caminho para estimulá-la é desenvolver habilidades de metacognição, mais especificamente de autoconhecimento das estratégias para armazenar novas informações e deixar rastros de pistas para recordá-las quando forem necessárias.

Para tanto, estratégias devem ser exploradas por cada pessoa até que se descubram quais são as mais facilitadoras. Por exemplo, técnicas de associação para novos nomes com pessoas já bem familiares com nomes ou faces parecidas, agrupamento por semelhança, entre outras.

Nunca é tarde e sempre haverá esperança. A neuroplasticidade e a reserva cerebral-cognitiva são conceitos muito relacionados entre si e com a possibilidade de criação de novas conexões cerebrais/neuronais até o último dia de vida. “Quanto mais nos estimulamos com atividades desafiadoras, tais como leitura e escrita complexas frequentes, análise crítica e reconto de filmes, episódios de seriados e de livros, jogos de planejamento estratégico e a própria atividade de trabalho, associadas a atividades esportivas, e de lazer com condições de saúde controladas, maior será nossa reserva cognitiva (conexões extras que podem compensar aquelas usuais mais fadigadas ou sobrecarregadas). Há exercícios neuropsicológicos (reabilitação neuropsicológica e treinamento cognitivo) que podem estimular as memórias, otimizando essa reserva cognitiva e a neuroplasticidade.”

O cérebro ao longo dos anos

Emílio Moriguchi, médico geriatra e professor do Departamento de Medicina Interna da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), enfatiza: “Não há fórmulas mágicas para envelhecimento saudável com qualidade ou o chamado “envelhecimento com sucesso”. O maior desafio para isto é a adoção contínua de hábitos saudáveis de vida. Editor associado do periódico médico norte-americano Atherosclerosis, Moriguchi enfatiza que não há como dissociar saúde do corpo e a saúde do cérebro. Elas estão inter-relacionadas e uma depende da outra. Ele afirma que o tempo ideal para se iniciar os cuidados para se ter um envelhecimento saudável é antes do nascimento, com a educação da mãe com hábitos de vida saudáveis para que possa gerar crianças que nasçam saudáveis e que eduque as crianças, desde pequenas, para hábitos de vida saudáveis (incluindo estímulo cerebral para coisas belas e construtivas).

O grande pico de desenvolvimento da nossa memória se dá na transição entre a primeira para segunda infância, posteriormente, da segunda infância para pré-adolescência, com seu maior ápice entre os 25 a 30 anos de idade. O maior declínio da memória começa a partir dos 60 anos, tendo seu pico maior entre 75 a 80 anos, explica o psicólogo do Kurotel Michael Zanchet. As memórias mais afetadas por declínio ao longo da vida são: prospectiva (do planejamento futuro, da agenda), episódica (de fatos, eventos, aprendizagem de novas informações) e memória de trabalho (para dupla ou múltiplas tarefas). A última memória a sofrer influência é a semântica (de longo prazo, de conhecimento geral e conceitual). Por isso, assim como todas as funções do nosso corpo, naturalmente, a memória também envelhece. Dessa forma, é sempre importante exercitar o nosso cérebro e lançarmos estímulos, mas ao mesmo tempo, termos período de reparo e de relaxamento.

Tempero para o cérebro

A curcumina, presente no açafrão (um dos componentes do tempero curry), é uma das seletas substâncias que consegue cruzar a barreira hemato-encefálica e afetar as atividades bioquímicas no cérebro, evitando a formação de substâncias tóxicas aos neurônios que levam à doenças neurológicas, como o Mal de Parkinson. A boa notícia está em publicação do Parkinson’s & Movement Disorders.

Curcuma

Mastigação relacionada com redução no risco de demência

Pessoas que têm dificuldade para mastigar alimentos duros, como uma maçã, apresentam um risco maior para desenvolver problemas cognitivos e demência. Uma razão para isso, dizem pesquisadores, poderia ser que poucos dentes ou nenhum tornam a mastigação mais difícil, o que leva a uma redução do fluxo sanguíneo para o cérebro.  Os dados foram publicados no site da NewsRx, uma das maiores fontes mundiais em saúde.

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