O psicólogo do Kurotel, Francisco da Costa, aborda um novo viés sobre como o mundo fashion interfere em aspectos psicológicos.

Podemos dizer que nossa relação com a moda (mais especificamente com a maneira que nos vestimos) é bidirecional. Isso porque nossas roupas são uma expressão do que estamos sentindo, de nossa personalidade, individualidade, assim como também podem ter um impacto em nossa autoestima e mesmo em como nos comportamos.

Mais do que uma tentativa de expressão, todo ato projeta no exterior uma manifestação do nosso mundo interno. Em nossa forma de vestir, comunicamos nosso desejo de conforto, de transgressão, de invisibilidade ou de nos destacarmos. O que a roupa mostra, esconde, o que leva escrito, sua atualidade, sua qualidade e especialmente a relação que estabelecemos com ela mesmo que de forma inconsciente, pode estar pleno de significados. Tudo comunica se há alguém disposto à leitura destes significados.

Sua roupa influencia como você se percebe e também como você é percebido pelos outros. Para isso serve a máxima “não basta ser, é preciso parecer”, se queremos acionar respostas nos outros. É inegável que a aparência externa comunica e aciona no outro uma atitude. Expectativas sobre nossas qualidades e mesmo competência profissional.

Psicólogos criaram um experimento para avaliar essa influência: Testaram a performance de pessoas ao falar sobre um certo tema, ao vestirem um avental branco de médico. A primeira observação foi de uma melhora nos resultados dos sujeitos enquanto usavam o avental em comparação à roupa comum. Em um novo momento, foi entregue o mesmo avental aos participantes, porém os experimentadores comunicaram que se tratava de um avental de pintor. Nessa condição a performance teve uma piora em relação ao primeiro teste. Esse exemplo é uma ilustração do impacto que a roupa pode produzir em nossa performance, e mesmo em nossa autoestima e empenho em fazer as coisas.

Outro estudo que comprova esse impacto, observou a diferença positiva que resultava do uso de roupas coloridas e de mais qualidade no contexto de uma clínica de saúde para idosos.A Moda busca criar nas pessoas esse impacto. É comum que os estilistas definam suas peças como feitas para ajudar as pessoas a se sentirem empoderadas, bonitas, para que chamem a atenção e para que sintam sua autoestima elevada.

Outro aspecto resultante das escolhas de vestuário e que atinge a autoestima indiretamente é a sensação de reconhecimento e pertencimento. Desde sempre o que vestimos, ornamentos e outros sinais, comunicam de que grupo ou tribo fazemos parte. Essa identificação com o grupo e ao mesmo tempo a expressão da individualidade é um dos vários paradoxos da Moda.